Cabeço de Trás de Figueiró / Vila Nova
CNS: 19153
Tipo: Povoado Fortificado
Distrito/Concelho/Freguesia: Leiria/Ansião/Alvorge
Período: Neolítico, Idade do Bronze, Romano, Romano, República e Medieval Cristão
Descrição: A estação em questão encontra-se a uma altitude máxima de 381m, num dos relevos bem destacados e individualizados com uma configuração trapezoidal, que domina a paisagem territorial envolvente e sobranceira à estrada nacional n.º 348. A referência mais antiga que se conhece sobre o Monte Figueiró data do século XII, com a criação do Concelho de Penela em Julho de 1137 e a doação da herdade do Alvorge em Fevereiro de 1141, ao Mosteiro de Santa Cruz, por D. Afonso Henriques. No primeiro documento, na delimitação de Penela, a linha divisória a Poente é indicada pelo percurso que "vadit a Figueiroa"; o segundo documento ainda é mais explícito ao referir-se ao local: "per cacumem montis Figueirole". Já do século XIII, a carta de aforamento dada pelo Mosteiro de Santa Cruz a parte da herdade do Alvorge a alguns colonos, denuncia a implantação de um casal nas proximidades do sopé daquele monte. J. E. R. Coutinho chega mesmo a considerar que " os arroteamentos efectuados por ordem do Mosteiro de Santa Cruz e a difusão dos casais agrícolas estabelecidos na herdade de Alvorge" poderão ter sido os responsáveis pela origem da povoação de Trás de Figueiró. Assim a elevação é que deu nome à povoação e não ao contrário como frequentemente é indicado. Relativamente à sua importância arqueológica, não há que duvidar, é o sítio com maior diversidade de espólio no Concelho de Ansião. Têm-se encontrado materiais que vão desde o Neolítico, Idade do Bronze, passando pelo domínio romano até à Reconquista Cristã. Há também notícia da descoberta de várias moedas, durante trabalhos agrícolas que se realizaram no cabeço de Figueiró. São quinze exemplares, que vão desde o século II a. C. até aos inícios do século I (governo de Augusto e Tibério). A área relativamente restrita onde foram encontrados (cerca de 5 m²), levou J. E. R. Coutinho a considerar que se poderá tratar de um tesouro. Refere ainda, que teve informação do aparecimento de mais catorze moedas, doze delas terão sido oferecidas na Bélgica por um emigrante do Alvorge ao patrão. No planalto, numa área com 39.500 m² foram detectados fragmentos de cerâmica de cobertura romana (tegulae e imbrex) e alguns fragmentos de cerâmica de uso doméstico. Foi ainda possível recolher um fragmento de escória e uma pequena enxó de pedra polida fragmentada, além disso, existem à superfície alguns alinhamentos de pedras soltas de média e grande dimensão que, podem perfeitamente serem interpretados como o que resta das estruturas que faziam parte do povoado, que J. E. R. Coutinho enquadra no período, que vai desde a Idade do Ferro à Romanização. Junto à vertente Norte, foram localizados dois cortes, ambos com 10 m de comprimento, 2 m de largura e com uma profundidade de 0. 50 m, onde se observou uma grande dispersão de pedra miúda a par de fragmentos de cerâmica de cobertura romana e cerâmica de uso doméstico.
Meio: Terrestre
Acesso: Vindo de Ansião, pela EN 348 até ao Alvorge, entroncamento à direita, EM 1080, em direcção ao lugar de Trás de Figueiró. Cabeço sobranceiro a esta povoação e à EN 348.
Espólio: -
Depositários: -
Classificação: -
Conservação: -
Processos: 2000/1(818) e 2010/1(531)
Trabalhos (2)
Bibliografia (2)

Fotografias (0)