Lesenho 1

Sítio (1317)
  • Tipo

    Povoado Fortificado

  • Distrito/Concelho/Freguesia

    Vila Real/Boticas/Vilar e Viveiro

  • Período

    Idade do Ferro

  • Descrição

    Povoado fortificado de grandes dimensões, localizado num grande e destacadísssimo cabeço cónico, no limite Sudeste do planalto do Barroso, com excelentes condições de implantação estratégica e de defesa natural. Tem vertentes igualmente inclinadas e muito rochosas por todos os lados, mas o acesso natural faz-se pelo lado Norte, virado ao planalto. As suas grandes dimensões, junto com a morfologia cónica, tornam difícil uma percepção global da estruturas defensivas, mas estas parecem estruturar-se essencialmente em três linhas de muralha principais: a primeira linha no princípio da encosta, uma segunda intermédia a meio da encosta, e a terceira na zona mais elevada, definindo a acrópole superior. Esta organização tem no entanto algumas nuances, variando um pouco em função das vertentes do povoado. Assim, e embora com as reservas devidas às dificuldades de observação, parece-nos que do lado Oeste, o mais inclinado e inacessível, existem apenas duas linhas de muralha, a superior e a inferior, não parecendo haver muralha intermédia. Dos lados Sul e Leste observam-se as três linhas de muralha, enquanto que do lado Norte, o mais exposto e acessível, às três linhas de muralha se juntam outras duas, em asa, formando plataformas adicionais, num total de cinco linhas defensivas consecutivas. Também deste lado Norte há zonas em que duas linhas consecutivas de muralha se unem por tramos de muralha que sobem perpendicularmente a encosta, formando assim espaços fechados por todos os lados. A parte superior do povoado é uma pequena plataforma aplanada e rochosa, definida pela linha de muralha superior, e onde se ergueu um posto de observação de incêndios e um marco geodésico, tendo o caminho de acesso rompido pelas várias linhas de muralha. Detectam-se pelo menos duas entradas distintas, em lados opostos. Uma fica do lado Sul, na base da acrópole rochosa, junto ao caminho de acesso, perto do ponto onde este faz a primeira curva apertada. É uma entrada em corredor, notando-se a existência de duas portas, uma em cada ponta do corredor. A outra entrada fica na vertente Norte, na primeira muralha, também numa zona onde a muralha encosta a grandes afloramentos rochosos. Esta entrada foi alvo de acções de restauro por Santos Júnior nos princípios dos anos 60. Na zona exterior a ambas as entradas detecta-se o que poderão ser campos de pedras fincadas. Em ambos os casos existem numerosas pedras tombadas no chão, fequentemente pedras alongadas e tendencialmente aguçadas, que não parecem pertencer ao derrube das muralhas. No entanto, não há practicamente nenhuma ainda fincada in situ, o que torna algo problemático a sua classificação como campos de pedras fincadas. Os materiais de superfície são bastante escassos, e detectaram-se apenas algumas poucas cerâmicas manuais da Idade do Ferro, embora se refira a existência de materiais de época romana. O espólio mais conhecido deste sítio é, no entanto, o achado de quatro estátuas de guerreiros, aparecidas duas a duas em momentos diferentes e circunstâncias pouco esclarecidas. Duas estão no Museu de Viana do Castelo, e as outras duas no Museu Nacional de Arqueologia.

  • Meio

    Terrestre

  • Acesso

    A partir da estrada 519, a caminho da aldeia de Campos, surge um estradão à esquerda que leva à casa florestal, passando antes no sopé Norte do povoado. Aqui arranca um caminho de terra batida que leva directamente ao topo do cabeço

  • Espólio

    4 estátuas de guerreiro, fragmentos de cerâmica de fabrico manual, pastas arenosas de coloração escura e alisadas, com presença de elementos micáceos e cozidos em ambiente redutor (bronze final); fragmentos de cerâmica de fabrico a torno, pastas de coloração alaranjada, com elementos micáceos e desengordurantes de médias dimensões, cozidos em ambientes oxidante( sec. I d.C.)

  • Depositários

    Museu Municipal de Viana do Castelo e Museu Nacional de Arqueologia

  • Classificação

    Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

  • Conservação

    Regular

  • Processos

    S - 01317, 2003/1(234), 2004/1(551), 2005/1(370) e C - 01317

Bibliografia (17)

30ª Campanha de escavações no Castro de Carvalhelhos - Agosto de 1981. Trabalhos de Antropologia e Etnologia (1982)
A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal (1986)
A estela funerária de Roriz (Chaves). Notícias de Chaves (1986)
Breves Notas sobre a região do Alto Tâmega (1984)
Castros do Concelho de Boticas - II. Campanhas de 1984 e 1985. Anais da Faculdade de Ciências do Porto (1985)
Castros do concelho de Boticas. Trabalhos de Antropologia e Etnologia (1983)
Concelho de Boticas. Zonas de interesse arqueológico, histórico e turístico. Notícias de Chaves (1989)
Manuel d'Archeologie Pré-histórique celtique et gallo-romain (1913)
Muralhas e Guerreiros na Proto-História do Norte de Portugal. Actas do III Congresso de arqueologia de Trás-os-Montes, Alto Douro e Beira Interior. Proto-História e Romanização. Guerreiros e Colonizadores Vol. 3 (2008)
Notícias Archeologicas Extrahidas do «Portugal Antigo e Moderno» de Pinho Leal, com algumas notas e indicações bibliographicas (1903)
Notícias Archeologicas de Portugal. Memórias da Academia Real de Sciências de Lisboa. Classe de Sciências Moraes, Políticas e Bellas-Artes (1872)
Notícias históricas do concelho e vila de Boticas (1982)
Novas figuras de guerreiros Lusitanos, descobertas pelo Dr. L. de Figueiredo da Guerra. O Arqueólogo Português (1915)
Novo material para o estudo da estatuária e arquitectura dos castros do Alto Minho. O Arqueólogo Português (1908)
Religiões da Lusitânia III (1913)
Statues Lusitaniennes de style primitif. O Arqueólogo Português (1903)
Visita a Castros nos arredores de Chaves (1971)

Fotografias (0)

Localização