Povoado de Santa Vitória

Recinto de Fossos - Calcolítico (3612)
O sítio arqueológico de Santa Vitória localiza-se a este da povoação de Campo Maior, próximo do rio Caia, a cerca de 312 m do sítio arqueológico Cabeço do Cubo (CNS 3646), com o qual pode estar relacionado e a 4,4 km do sítio Monte da Contenda (CNS 33889), abrangendo uma área de cerca de 1 hectare. Implanta-se no topo de uma elevação, a cerca de 312 m de altitude, que se destaca na paisagem envolvente. O sítio de Santa Vitória foi identificado na década de oitenta do século XX, sendo alvo de um projeto de investigação, da responsabilidade de Ana Carvalho Dias e Miguel Lago, entre 1986 - 1994, que permitiu identificar um conjunto significativo de estruturas negativas (fossos, fossas / silos), associados a materiais pré-históricos, enquadrados no 3º milénio a. C. Em 2018, este sítio integra um novo projeto de investigação, coordenado por António Valera, que pretende ampliar o conhecimento disponível e contribuir para a sua valorização e divulgação. Os vários trabalhos arqueológicos realizados permitiram identificar duas linhas de estruturas escavadas no substrato geológico tipo fosso, uma das quais com traçado sinuoso (formando semicírculos ou lóbulos regulares, com larguras entre 2,5 - 3 m e cerca de 1,5 m de profundidade), que estrutura o espaço ocupado, permitindo incluir Santa Vitória na categoria dos recintos (ou povoados) de fossos do Sul da Península Ibérica. De facto, este sítio foi um dos primeiros contextos arqueológicos deste tipo a ser intervencionado em território português. Para além deste sistema de fossos, identificaram-se várias estruturas tipo silo / fossas, estruturas de combustão e possíveis áreas residenciais (cabanas de planta circular semi-escavadas, com fundações de alvenaria) e uma grande diversidade de materiais arqueológicos (artefactos de pedra polida e lascada, recipientes cerâmicos, componentes de tear, estre outros), que documentam a instalação de uma comunidade neste local na primeira metade do 3º milénio a.C. (3000 - 2500 a. C). A análise da estratigrafia e dos materiais disponíveis permitem definir duas fases de ocupação, em que a mais antiga corresponde à ocupação do recinto de fossos interior e a segunda fase se caracteriza pela presença de estruturas de combustão e cabanas após a colmatação dos fossos. (atualizado por C. Costeira, 26/12/18).

Informação

O sítio tem condições de visita e painéis informativos no local. Integra os Itinerários Arqueológicos do Alentejo e Algarve.

Condições da visita

Acesso livre

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    Como chegar lá? Boas Práticas

    Boas Práticas

    Boas práticas ao visitar sítios arqueológicos

    Visitar um sítio arqueológico é conectarmos com as nossas origens; é percebermos o nosso percurso e evolução como espécie Humana integrada no meio ambiente; é respeitar o património que é nosso e dele cuidarmos para que as gerações futuras também o possam visitar e desfrutar. 

    Percorrer os caminhos e apreciar as estruturas e peças arqueológicas que sobreviveram ao passar dos tempos, permite-nos compreender aquilo que é diferente, mas também aquilo que é comum entre as diferentes populações: no fundo, aquilo que nos identifica como Homo Sapiens. 

    Mais do que simples vestígios e ruínas do passado, os sítios arqueológicos evidenciam a nossa capacidade criativa, de adaptação, de interconexão, de compreensão e resiliência, sem as quais não teríamos tido sucesso como seres culturais em constante processo evolutivo. Estes sítios permitem-nos ainda refletir sobre as escolhas feitas no passado e contribuir assim para que as decisões no presente possam ser realizadas com maior consciência e conhecimento.

    Os sítios arqueológicos são recursos frágeis e vulneráveis às mudanças potenciadas pelo desenvolvimento humano sendo únicos e insubstituíveis. A informação que guardam, se destruída, nunca mais poderá ser recuperada. 

    Como tal, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) convida todos os visitantes de sítios arqueológicos a desfrutarem da sua beleza e autenticidade, ajudando ao mesmo tempo a preservá-los para as futuras gerações, adotando desde logo as boas práticas que aqui indicamos:   

    • Respeitar todas as sinalizações;
    • Não aceder a zonas vedadas;
    • Não subir, sentar ou permanecer sobre estruturas e vestígios arqueológicos;
    • Respeitar as áreas que estão a ser alvo de intervenções arqueológicas, não as perturbando;
    • Não recolher materiais nem sedimentos (terra);
    • Não escrever ou realizar grafitos nas estruturas arqueológicas;
    • Deitar o lixo em contentores próprios. Se não existirem no local, leve o lixo consigo até encontrar contentor adequado para o efeito;
    • Deixar o sítio arqueológico tal como o encontrou;
    • Não passar com bicicletas ou veículos motorizados sobre os sítios arqueológicos;
    • Respeitar e proteger as plantas e os animais que habitam na envolvente do sítio arqueológico;
    • Reportar sinais de vandalismo ou destruição à DGPC ou às Direções Regionais de Cultura (DRC);
    • Partilhar experiências de visita e os sítios arqueológicos, como forma de os tornar mais conhecidos e apelar à sua preservação;
    • Não comprar materiais arqueológicos e reportar às autoridades de segurança pública, à DGPC ou às DRC, caso venha a suspeitar de que materiais/peças arqueológicas possam estar à venda.

    Para saber mais:

    AIA / ATTA (2013) – Guide to best practices for archaeological tourism. 

    Raposo, J. (2016) – Código de conduta para uma visita responsável a sítios arqueológicos. In Sítios arqueológicos portugueses revisitados: 500 arqueossítios ou conjuntos em condições de fruição pública responsável. Al-madan, 2ª série, p. 20 – 77. 

    Contactos DGPC

    Telefone: +351213614200 | Email: informacaoarqueologica@dgpc.pt

     

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