Alcalar - Povoado

Recinto de Fossos - Neolítico Final e Calcolítico (2781)
O sítio arqueológico de Alcalar localiza-se na povoação de Alcalar, concelho de Portimão, abrangendo uma extensa área de cerca de 20 hectares, entre a Ria de Alvor e o sopé da Serra de Monchique. Implanta-se numa elevação amesetada, alongada no sentido nordeste - sudoeste, que se destaca na paisagem envolvente. Este sítio integra várias áreas habitacionais e uma imponente necrópole, agrupada em diversos núcleos (Alcalar Centro; Este; Oeste, Vidigal Velho, Monte Velho, Poio e Monte das Canelas), com cerca de vinte monumentos identificados, localizados nas pequenas colinas do lado norte. Estas estruturas funerárias apresentam diferentes características arquitetónicas (hipogeus, antas, tholoi), práticas funerárias e diacronias de construção / ocupação. Os trabalhos arqueológicos na área de Alcalar iniciaram-se no final do século XIX (Veiga, 1889; Rocha, 1904; Viana et al, 1953), incidindo nos contextos funerários, que pelas suas características se tornaram desde logo incontornáveis no estudo da Pré-história recente do Sul peninsular. Não obstante, S. Estácio da Veiga (1889) referir a presença de estruturas negativas tipo silo / fossa, associados a contextos de habitat nesta área arqueológica, só na década de 70 do século XX (Silva e Soares, 1976-77; Arnaud e Gamito, 1978) é que Alcalar foi reconhecido como um povoado. A partir dos anos 90 e no início do século XXI, este sítio tem integrado vários projetos de investigação (Morán e Parreira, 2004, Morán, 2014), bem como têm sido realizadas várias intervenções de emergência, de que resulta a publicação de uma vasta bibliografia. As diversas campanhas de prospeção geofísica e as escavações arqueológicas realizadas permitiriam identificar um conjunto de estruturas escavadas no substrato geológico tipo fosso, com traçados curvilíneos e sinuosos, que parecem estruturar o espaço ocupado, permitindo incluir Alcalar na categoria dos grandes povoados (recintos) de fossos do Sul da Península Ibérica. Para além deste amplo sistema de fossos, identificaram-se várias estruturas tipo silo / fossas, áreas residências (cabanas de planta circular semi-escavadas, com fundações de alvenaria), estruturas de combustão, o que par da grande quantidade de vestígios faunísticos (restos de animais e conchas) e materiais arqueológicos (artefactos de pedra polida e lacada, recipientes cerâmicos) documenta a instalação e uma comunidade neste local, que explorou diferentes recursos e construiu uma "paisagem cultural" ao longo de uma ampla diacronia, entre o final do 4º e durante o 3º milénio a. C. (3200 - 2000 a. C.). O povoado calcolítico de Alcalar corresponde a um destacado centro habitacional, social, cultural e simbólico do Algarve Ocidental, organizando uma ampla rede de espaços habitacionais e funerários / rituais com diferentes dimensões e características. Os distintos elementos arquitectónicos e a presença de múltiplos materiais simbólicos e de prestígio, alguns dos quais com origens exógenas (anfibolito, elementos de adorno de variscite, marfim, entre outros) evidencia uma crescente complexidade social das comunidades locais de Alcalar e a sua interacção com diferentes territórios peninsulares, mediterrâneos e da Europa atlântica. (actualizado por C. Costeira, 18/07/2018).

Informação

O povoado calcolítico situa-se em propriedades particulares, com acesso condicionado à prévia autorização dos respetivos proprietários. Centro Interpretativo associado aos monumentos funerários Alcalar 7 e 9. No Museu de Portimão encontra-se mais informação e alguns materiais de Alcalar. Sítio integrado no Roteiro Mexilhoeira Grande, na Rota da Dieta Mediterrânica e nos Itinerários Arqueológicos do Alentejo e Algarve.

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    Como chegar lá? Boas Práticas

    Boas Práticas

    Boas práticas ao visitar sítios arqueológicos

    Visitar um sítio arqueológico é conectarmos com as nossas origens; é percebermos o nosso percurso e evolução como espécie Humana integrada no meio ambiente; é respeitar o património que é nosso e dele cuidarmos para que as gerações futuras também o possam visitar e desfrutar. 

    Percorrer os caminhos e apreciar as estruturas e peças arqueológicas que sobreviveram ao passar dos tempos, permite-nos compreender aquilo que é diferente, mas também aquilo que é comum entre as diferentes populações: no fundo, aquilo que nos identifica como Homo Sapiens. 

    Mais do que simples vestígios e ruínas do passado, os sítios arqueológicos evidenciam a nossa capacidade criativa, de adaptação, de interconexão, de compreensão e resiliência, sem as quais não teríamos tido sucesso como seres culturais em constante processo evolutivo. Estes sítios permitem-nos ainda refletir sobre as escolhas feitas no passado e contribuir assim para que as decisões no presente possam ser realizadas com maior consciência e conhecimento.

    Os sítios arqueológicos são recursos frágeis e vulneráveis às mudanças potenciadas pelo desenvolvimento humano sendo únicos e insubstituíveis. A informação que guardam, se destruída, nunca mais poderá ser recuperada. 

    Como tal, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) convida todos os visitantes de sítios arqueológicos a desfrutarem da sua beleza e autenticidade, ajudando ao mesmo tempo a preservá-los para as futuras gerações, adotando desde logo as boas práticas que aqui indicamos:   

    • Respeitar todas as sinalizações;
    • Não aceder a zonas vedadas;
    • Não subir, sentar ou permanecer sobre estruturas e vestígios arqueológicos;
    • Respeitar as áreas que estão a ser alvo de intervenções arqueológicas, não as perturbando;
    • Não recolher materiais nem sedimentos (terra);
    • Não escrever ou realizar grafitos nas estruturas arqueológicas;
    • Deitar o lixo em contentores próprios. Se não existirem no local, leve o lixo consigo até encontrar contentor adequado para o efeito;
    • Deixar o sítio arqueológico tal como o encontrou;
    • Não passar com bicicletas ou veículos motorizados sobre os sítios arqueológicos;
    • Respeitar e proteger as plantas e os animais que habitam na envolvente do sítio arqueológico;
    • Reportar sinais de vandalismo ou destruição à DGPC ou às Direções Regionais de Cultura (DRC);
    • Partilhar experiências de visita e os sítios arqueológicos, como forma de os tornar mais conhecidos e apelar à sua preservação;
    • Não comprar materiais arqueológicos e reportar às autoridades de segurança pública, à DGPC ou às DRC, caso venha a suspeitar de que materiais/peças arqueológicas possam estar à venda.

    Para saber mais:

    AIA / ATTA (2013) – Guide to best practices for archaeological tourism. 

    Raposo, J. (2016) – Código de conduta para uma visita responsável a sítios arqueológicos. In Sítios arqueológicos portugueses revisitados: 500 arqueossítios ou conjuntos em condições de fruição pública responsável. Al-madan, 2ª série, p. 20 – 77. 

    Contactos DGPC

    Telefone: +351213614200 | Email: informacaoarqueologica@dgpc.pt

     

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